A televisão Levada a sério – Arlindo Machado
17 outubro, 2011
A televisão foi considerada durante certo tempo inferior, mas neste cinquenta anos de televisão temos um repertório de grandes obras que nos permitem entende-la melhor. Entender a televisão não é fácil é necessário pesquisas não somente sobre a parte técnica mas sim sobre o seu conteúdo.
ADORNO
Um dos críticos do principio da televisão foi Adorno, porém seu questionamento pode ser contestado, pois acredita-se que Adorno por ser um dos entusiastas da escola de Frankfurt não tenha assistido a televisão, pois se ainda hoje muitos intelectuais não assistem televisão em 1954 isso deveria ser normal. Acredita-se que ele tenha baseado sua crítica em fragmentos de texto e roteiros já lhe entregue com filtragem tendenciosas. Mas é importante destacar mesmo neste período já iniciavam-se as apresentações musicais no Canadian Broadcasting Corporation em Montreal. Situação que foi ampliada nas próximas décadas criando assim uma grande diversidade, muito maior do que a detectada por Adorno.
MCLUHAN
O exemplo de McLuhan é o oposto, ele só viu aspectos positivos na televisão, mesmo com grandes deficiências técnicas como imagem granulada, tela pequena, mas ele julgava que a televisão proporcionada uma experiência profunda não disponível em outro meio.
Ambos tem razão em alguns aspectos, pois mesmo com deficiências técnicas produz-se coisas ruins e coisas interessantes. E um aspecto positivo de McLuhan é o fato dele conhecer o meio. Mas tanto Adorno e McLuhan usam como referência a estrutura tecnológica e mercadológica e não como um conjunto de trabalhos áudio visuais.
QUALIDADE NA TV
Na televisão um dos problemas mais sérios é o repertório, conhece-se muito pouco sobre o que já foi produzido na televisão. Lembramo-nos de filmes, música, mas não temos uma referência marcante na televisão. Embora tenhamos programas de ordem nacional e estrangeiros que merecem destaque.
Na década de 80 surgiu um termo em substituição a idade do ouro da televisão que foi chamada de “Quality Television”, cujo objetivo era dar uma abordagem diferenciada a televisão, mesmo com resistência dos intelectuais a este meio.
Os defensores da Quality Television defendem a ideia de que a demanda comercial e o contexto industrial não viabilizam a criação artística. Porém deve-se reforçar que ao usar o termo qualidade. Um exemplo foi quando ele foi utilizado pela primeira ministra Margareth Thatcher usou o termo para citar em plano de governo como trataria da televisão e que obrigou a a oposição (que sustentava a tv como algo burguês) a mostrar também se plano para o meio.
A discussão sobre TV é necessária. O que é e o que não é qualidade em televisão faz parte do próprio sistema televisão.
PROGRAMAS DESTAQUE
Existem diversos programas de grande relevância cultural e mercadologica na televisão. Selecionamos dois programas de destaque uma peça de ficção a Grã Bretanha e uma peça publicitária brasileira. Consideramos elas de importância pelo contexto histórico, formato e linguagem aplicada:
01) The War Game (Grã Bretanha, 1965)
Drama apocalíptico, narrado em tom de documentário e telejornalismo, com atores não profissionais sobre um suposto ataque nuclear à Grã Bretanha, durante os piores momentos da Guerra Fria. O resultado foi considerado tão perturbador que a BBC cancelou a exibição (foi exibido 20 anos depois) pois temiam consequências semelhantes às provocadas pelo War fo the Worlds de Orson Welles em 1938.
A fotografia num cinza pálido de Peter Barlett parece indicar que o próprio programa está sob efeito de radiação atômica.
02) Hitler (Brasil, 1987) – W/Brasil
Peça publicitária para a folha de São Paulo com 30 segundos que através de mensagens positivas mostram ao final a silhueta de Hitler. Esta peça merece destaque por causar um grande impacto no telespectador.